12 outubro 2019

DIVERSIDADE: Bonecas negras ressaltam importância da diversidade para as crianças


Andréa Ramos tinha 22 anos quando ganhou um presente diferente do namorado: uma boneca negra de pano. Ao recebê-la, a jovem ficou em choque. Como nunca tinha visto algo parecido em toda sua vida? Lembrou-se da infância, em que os desenhos infantis, os programas da TV e os brinquedos não tinham pessoas, bonecas ou personagens parecidos com ela. “Foram várias perguntas ao mesmo tempo, foi uma bagunça. Essa falta de produtos, de representatividade e identidade formam uma mentalidade negativa e uma baixa autoestima que vêm desde a infância. Para mim, o choque resultou em um projeto positivo”, conta. Andréa é a fundadora da marca NegaFulô, que produz bonecas negras de pano em diversos tamanhos e estilos. “Faço arte com identidade”, diz a administradora de 42 anos. Hoje, ela conta com a ajuda de outras quatro costureiras para produzir entre 200 e 300 bonecas por mês em um projeto que, na raiz, sempre dependeu inteiramente dela, apesar dos questionamentos já recebidos sobre o seu trabalho. A psicanalista Isabel Gervitz explica que o ato de brincar é essencial na vida de toda criança, ainda que ele não necessite de nenhum brinquedo em especial para funcionar ou ser divertido. A boneca, nesse sentido, é mais um aporte para uma infinidade de possibilidades, mas que comumente é utilizada para reafirmar papéis sobre o que é ‘de menino’ e o que é ‘de menina’. Além desses estereótipos, a aparência da boneca também pode mostrar, para a criança, modelos da cultura vigente – que, no Brasil, é atravessada pelo racismo.
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