SL PROBLEMA SOCIAL: Moradores de ruas se multiplicam em praças, prédios históricos e vias nas capitais ~ Blog do Monteiro

15 julho 2019

PROBLEMA SOCIAL: Moradores de ruas se multiplicam em praças, prédios históricos e vias nas capitais


Em 2013, Carlos Alberto dos Santos, 55, ajudou a erguer o estádio da Fonte Nova para a Copa do Mundo. Em 2016, após perder o emprego, brigar com familiares e passar a usar crack, ele morava nas ruas do centro de Salvador. A trajetória ecoa a de muita gente em situação de rua. "Trabalhei 26 anos com carteira assinada e hoje estou aqui", diz, ao se encolher em meio a outras 12 pessoas sob um viaduto no bairro do Politeama. O crescimento dessa população se repete pelo país, conforme observado pela Folha, ao longo da pior crise econômica enfrentada pelo país e sua resultante de 13 milhões de desempregados. Não há, porém, estatística com critério uniforme para avaliação. Com o frio de julho, os problemas enfrentados por essas pessoas se acirram, sobretudo em capitais como Curitiba e Porto Alegre. Na segunda (8), quando fazia 3°C, um morador de rua de Curitiba, sexagenário, foi recolhido por policiais com sinais de hipotermia e acabou morrendo. Em Porto Alegre, em uma noite em que a temperatura em chegou a 2°C, Edson Luís Barbosa, 50, viu seu barraco no centro pegar fogo acidentalmente e perdeu o abrigo. "Uma mulher nos entregou dois cobertores, mas ainda assim foi congelante", diz Barbosa, que há seis anos deixou com a mulher o bairro onde morava para fugir do tráfico. No Rio, o número de moradores de rua contados pela prefeitura quase triplicou de 2013 a 2016, para 14.279 pessoas. Depois, a gestão Marcelo Crivella (PRB) mudou a metodologia e contou menos de 5.000 pessoas nessa situação -especialistas contestam. As marquises do centro ficam lotadas, com fila para a sopa levada por voluntários, e até na praia se dorme.
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