22 junho 2019

SISTEMA ENTRA E SAI: Com apenas seis meses no cargo, Bolsonaro mexe muito na equipe


Na véspera de completar seis meses no cargo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) demitiu na última semana dois ministros, modificou as funções de 3 das 4 pastas que ficam no Palácio do Planalto e anunciou pessoalmente troca de comando em duas estatais: o BNDES e os Correios. Com esses gestos, alguns considerados intempestivos até por auxiliares, o presidente dá sinais de que busca uma nova maneira de governar e deixar para trás a difícil relação com o Congresso até aqui - e que lhe rendeu sucessivas derrotas, como a mais recente rejeição dos decretos de armas pelo Senado. Nesta sexta (21), ele admitiu que, por "inexperiência", cometeu erros ao distribuir algumas funções de equipe, em especial no diálogo com o Legislativo. O presidente redistribuiu as funções entre três pastas do Planalto: Casa Civil, Secretaria-Geral e Secretaria de Governo. A principal delas foi retirar das mãos do ministro Onyx Lorenzoni a tarefa da articulação política. Caberá ao chefe da Casa Civil cuidar da coordenação do governo.  O diálogo com o Legislativo passará para o recém-chegado Luiz Eduardo Ramos, general de quem Bolsonaro é amigo e que substituirá Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido após desgaste provocado por críticas de um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), e do escritor Olavo de Carvalho. No primeiro semestre como presidente, Bolsonaro adotou um modo oscilante na maneira de governar. Agora, tem demonstrado maior descontração nas aparições públicas. A mudança de humor, na avaliação de aliados, foi influenciada pelas manifestações pró-governo no fim de maio. Desde então, o presidente tem parado com frequência para cumprimentar e conversar com apoiadores ao entrar e sair da residência oficial, o Palácio da Alvorada. Aproveita a ocasião para dar entrevistas aos repórteres que fazem plantão no local. Apesar de uma melhora de clima, assessores presidenciais não acreditam que ele vá adotar de forma constante uma versão "paz e amor", mantendo o método de "fritura pública" de seus auxiliares antes de demiti-los.
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