Em conversas divulgadas pelo site "The Intercept
Brasil", o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, orientou o
coordenador da Lava Jato Deltan Dallagnol a "ficar com 30%" da
delação da empreiteira Odebrecht (veja a transcrição da conversa mais abaixo).
Juristas ouvidos pelo UOL consideram o fato grave e defendem investigação das
mensagens. Num diálogo de 15 de dezembro de 2016, quando faltava um dia para
serem concluídos os depoimentos de executivos da empreiteira, Deltan Dallagnol,
procurador do MP (Ministério Público), listou o cargo de 372 políticos
brasileiros na delação. Ele informou para o então juiz Moro que cerca de 30%
dos casos eram de crimes de corrupção, 30% de caixa dois e 40%, de uma "zona
cinzenta" a ser apurada. Em resposta, o então magistrado afirmou ser
"melhor ficar com os 30 por cento iniciais". E justificou:
"Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e
Judiciário". A assessoria do ministro Sergio Moro disse ao UOL que
"os acordos com os executivos da Odebrecht foram homologados pelo Supremo
Tribunal Federal e a 13ª Vara Federal de Curitiba só recebeu depois do
desmembramento dos termos promovido pelo STF.". E acrescentou que "o
ministro não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas
criminosamente por hackers, que podem ter sido manipuladas, sendo necessário
que o site divulgador apresente o material original para análise de sua
integralidade".
15 junho 2019
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog

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