A
imprensa da Europa informou o afastamento da presidente Dilma Rousseff por meio
de alertas de “urgente” distribuídos a seus leitores. Para o jornal francês Le
Monde, o Brasil deu salto “no desconhecido” com a abertura do processo de
impeachment no Senado, aprovada no início da manhã desta quinta-feira, 12, em
Brasília. Para o diário parisiense, “uma atmosfera de melancolia” reinava no
plenário. “Os senadores se expressaram um mês após o voto mordaz dos deputados.
Ao tumulto de seus colegas da câmara baixa, eles responderam com solenidade”,
avaliou Le Monde. Em Londres, o jornal The Guardian acompanhou em tempo real a
decisão no Senado. O jornal acompanhou os discursos e destacou as principais
frases da madrugada. Sobre a defesa de Dilma Rousseff, publicou a frase do
advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que advertiu em seu discurso que
o Brasil se tornaria “a maior república de bananas do planeta” caso o
impeachment fosse aceito. “As acusações contra Dilma Rousseff serão agora
investigadas em comitê. O vice-presidente Michel Temer assume o poder durante
este período”, explicou o jornal britânico. O El País, de Madri, classificou a
sessão plenária como “histórica e extenuante”, e lembrou que por “uma maioria
simples de senadores brasileiros (55 de 81)” o Senado “deu luz verde ao
processo de destituição”. “A dirigente do Partido dos Trabalhadores sairá hoje
mesmo pela porta principal do Palácio do Planalto, sede presidencial, em um
gesto explícito que quer dizer que acata, mas não aprova a decisão”, interpreta
o jornal. Em Roma o jornal La Repubblica destacou a admissão do processo de
impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil, “em caso de destituição”,
não vai para eleições antecipadas”, e que Michel Temer “completará o mandato
presidencial até 1º de janeiro de 2019”. O diário lembrou logo a seguir o
suposto envolvimento do senador Aécio Neves, do PSDB, em escândalos de
corrupção. “A situação é complicada também para o líder da oposição, Aécio
Neves: o Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação por corrupção contra
o líder do PSDB, partido de centro-direita e um dos principais apoiadores do
impeachment”, afirma.
(Istoe)
