Líder do PTB e aliado do governador Geraldo Alckmin
(PSDB), o deputado Campos Machado tentará anular o requerimento com o pedido de
instalação da CPI da Merenda na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp),
protocolado na semana passada com ampla adesão de parlamentares após a ocupação
do plenário da Casa por estudantes de escolas técnicas e estaduais. Na
terça-feira, 17, por 49 votos, deputados da base e da oposição aprovaram o
regime de urgência do projeto que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito, acelerando
sua instalação. Segundo Campos, o requerimento da CPI foi assinado pelo presidente da
Alesp, Fernando Capez (PSDB), o que é proibido pelo regimento interno. O tucano
é um dos investigados pela Operação Alba Branca, da Polícia Civil e do
Ministério Público Estadual, por suspeita de integrar o esquema de
superfaturamento e pagamento de propina em convênios da Cooperativa Agrícola
Familiar para fornecimento de suco na merenda escolar para o Estado e 22
prefeituras. Ele nega. O petebista, que se diz contrário à comissão porque o
caso já é investigado pela polícia e pela Promotoria, questiona ainda o fato de
a Alesp querer dar prioridade à CPI da Merenda em vez de outras comissões
protocoladas antes, como a CPI do Detran, para investigar suposto esquema de
corrupção no Departamento Estadual de Trânsito. "O que é estranho é que de
uma hora para outra todo mundo resolveu assinar a CPI, só por causa da invasão
dos alunos. Não pode ser assim. Até o presidente assinou, o que não pode.
Talvez esse requerimento seja nulo", disse.
(Bol)
