29 outubro 2012

Mais jovem prefeito de Salvador, ACM Neto dá novo fôlego ao carlismo

Aos 33 anos, o soteropolitano Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (DEM), ou ACM Neto, é o prefeito mais jovem da história de sua cidade natal. Seu avô, o ex-senador e ex-governador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) tinha 40 quando chegou ao mesmo cargo. Representante da terceira geração do clã político mais importante da Bahia, os Magalhães, ele preenche a lacuna deixada pelo seu tio e filho de ACM Luís Eduardo, morto aos 43 anos de um ataque cardíaco fulminante em 1998. Luís Eduardo, à época, estava sendo preparado para governar a Bahia e depois emplacar uma candidatura à Presidência da República.


O prefeito eleito de Salvador sempre quis seguir os passos do ex-senador. Ainda secundarista, fundou o grêmio estudantil da escola em que estudava. Mais tarde, presidiu o PFL Jovem. Sem Luís Eduardo para ofuscá-lo politicamente, tornou-se o único sucessor do carlismo - corrente política liderada por seu avô e que durante décadas comandou a Bahia.
Ele retrucava ao afirmar que, em 2002, ou seja, quando ainda trabalhava na secretaria, a primeira instituição a adotar o sistema de cotas raciais para seu ingresso foi a Universidade do Estado da Bahia (Uneb). No entanto, professores da universidade afirmaram que o demista e o governo do Estado vigente não contribuíram para a implantação das cotas. A iniciativa, sustentam, foi exclusivamente no âmbito da Uneb, usufruindo da autonomia universitária.
Também em 2002, foi eleito deputado federal pela primeira vez, sendo o mais votado da Bahia. Na sua primeira legislatura, em meio à crise do mensalão, afirmou na tribuna da Câmara dos Deputados ser capaz de surrar o então presidente Lula. A imagem do destempero foi exaustivamente utilizada pelo PT. Ainda durante a campanha deste ano, o demista reconheceu o erro de ter feito a ameaça. Entre outras coisas, justificou o seu ato falando que sua família fora ameaçada naquela época, sem entrar em detalhes sobre qual tipo de ameaça seus parentes sofreram.
Em 2006 e 2010, novas vitórias na corrida para a Câmara. Em 2008, disputou, e sequer foi ao segundo turno, nas eleição para prefeito de Salvador. Declarou apoio a João Henrique, o que acarretou outra série de críticas de seus adversários em 2012, entre eles o adversário Nelson Pelegrino (PT), que exibiu dezenas de vezes o vídeo no qual ACM Neto aparece dizendo "eu digo sim a João".
(IG)
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