13 abril 2026

É isso! Patrões querem adiar fim da 6x1 botando raposa como gerente do galinheiro

O lobby empresarial brasileiro, sempre ágil em defender o livre mercado quando se trata de lucro, mas dependente de subsídios estatais na primeira crise, tenta travar o fim da escala 6x1 defendendo que as categorias negociem individualmente. No papel, parece democrático. Na vida real do trabalhador vulnerável que acorda às 4h da manhã para pegar dois busões e um trem, é apenas a velha estratégia de deixar a raposa cuidando do futuro do galinheiro. O que as entidades patronais propõem não é uma negociação, mas rendição por exaustão. Eles sabem que o trabalhador do comércio, o frentista do posto, a faxineira da terceirizada e o repositor de supermercado, os heróis invisíveis da escala 6x1, não possuem o mesmo poder de barganha que um engenheiro de software e um executivo de banco ou um bancário e um metalúrgico. A escala 6x1 é um moedor de carne que ignora que o ser humano tem um limite biológico e emocional. O argumento de que "cada setor tem sua especificidade" é a senha para o imobilismo. Se dependêssemos da "especificidade de cada setor" e da "vontade das partes" para avançar em direitos humanos, ainda estaríamos discutindo se o trabalho escravo deve ser abolido gradualmente ou se as crianças podem ou não operar teares em jornadas de 14 horas.

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