Eu já cansei de ouvir de
todo tipo de pessoa a frase “No tempo da ditadura era melhor”, para na
sequência, ouvir as justificativas de que “havia mais respeito”, “havia mais
segurança”. Mas, quando pergunto sobre economia, os ombros dizem que não sabem
ou a memória não se lembra. Pois é. Parece que a anistia além de política, foi
econômica. Os militares entregaram um país falido. Crise econômica, contexto
internacional, cenário político interno. A democracia seria um sonho se o
governo dos militares não estivesse tão enfraquecido. Nem o medo dos comunistas
emocionava mais. Fica para uma outra vez descobrir por que ficou tatuado no imaginário
o milagre econômico ao invés do salto dívida externa, o arrocho, os empréstimos
no FMI e a inflação galopante. A gente lembra da inflação do Sarney, os planos
econômicos posteriores e acha que aquilo surgiu do nada? Em 1964 a dívida
externa brasileira era de US$ 3 bilhões. Em 1985, alcançou US$ 95,5 bilhões. O
país se transformou no maior devedor do mundo em proporção ao PIB. A inflação
rondou os 20% entre 1968 e 1973, chegou a 211% em 1983. A balança comercial
acumulava déficits sucessivos. A retração da economia era comprovada pelo PIB,
que teve uma queda 4,4% em 1981 e 2,9% em 1983. Os militares não tinham um dado
positivo para apresentar à população ou ao mercado. O golpe mata. E empobrece
também.
(Blog do Noblat)

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