26 setembro 2020

ECONOMIA: Fim da pobreza depende de acesso a serviços básicos e inclusão produtiva

No momento em que o governo debate a criação de um programa social em substituição ao Bolsa Família, o país vai ter de ir além da transferência de renda se quiser vencer a pobreza. Entre os analistas, é consenso que apenas o dinheiro não vai ser capaz de tirar milhões da miséria. Para uma política social bem-sucedida, o Brasil precisa garantir o acesso a serviços básicos e a inclusão da população no mercado de trabalho. Mais do que atenuar o quadro de pobreza atual do país com dinheiro de programas sociais, o principal desafio do Brasil é superar a pobreza de médio e longo prazo. Ou seja, para que o filho de um brasileiro pobre consiga deixar essa condição ao longo dos anos. A deterioração econômica provocada pela pandemia de coronavírus deixou evidente a vulnerabilidade de boa parte da população brasileira. Mesmo aquela inserida no mercado de trabalho, sobretudo a que está na informalidade, pode facilmente cair para um quadro de pobreza diante da instabilidade na renda. Na crise atual, por exemplo, a renda do trabalho da metade mais pobre da população caiu 27,9% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, segundo a FGV. Para a fatia dos 10% mais ricos do Brasil, houve um recuo, mas em menor grau, de 17,5%.


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