Tudo
em torno de Paulo Coelho é superlativo. Do banheiro para visitas decorado com
um quadro assinado por Andy Warhol, ao elevador de vidro que vai da sala de
estar ao enorme terraço sob os Alpes suíços. Dos mais de 325 milhões de livros
vendidos e um bilhão de leitores em 150 países, ao recorde de escritor vivo
mais traduzido do mundo e quase 50 milhões de seguidores em redes sociais. Da
tortura a que foi submetido durante três meses, em 1974, à forma contundente
como critica o governo brasileiro, em 2019. "O esfacelamento daquilo que o
nosso país representava." "Um delírio." "Um Brasil
totalmente polarizado" que está "caminhando para o mesmo clima de
terror" da ditadura. Em seu apartamento, em Genebra, o escritor falou
sobre que pensa sobre Jair Bolsonaro, e disse à BBC News Brasil estar cumprindo
um "compromisso histórico". "O compromisso histórico é não ficar
calado. Eu tenho que falar. Vou perder leitores? Vou. Tenho perdido? Devo estar
perdendo? Não sei. Eu não fico contabilizando", diz, enquanto a esposa
Christina Oiticica, que acompanha a entrevista, assente com um leve gesto de
aprovação. "Se o passado se repete no presente, já não é mais passado, é
presente."
26 setembro 2019
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog

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