Temendo se
tornarem ainda mais constantes os ataques a suas terras, lideranças indígenas
pretendem levar a tribunais internacionais o discurso do presidente Jair
Bolsonaro, realizado na terça, na abertura da Assembleia Geral da ONU
(Organização das Nações Unidas). Na sua fala a líderes mundiais, Bolsonaro
acusou índios de provocarem incêndios na Amazônia, afirmou que há riquezas em
subsolo de terras indígenas que precisam ser retiradas e atacou duramente o
cacique Raoni, liderança indígena brasileira com grande prestígio
internacional. O cacique Almir Narayamoga, da etnia suruí, em Rondônia, afirmou
ao UOL que um grupo já se reuniu ontem, em Brasília, para definir a forma como
a denúncia será feita. "Eles avaliaram o discurso do presidente e tomaram
uma posição desse movimento para levar esse discurso para a corte
internacional. Ele não pode ficar falando sobre os índios assim. Tem de
respeitar nosso líder Raoni", afirmou. A ideia é levar as críticas à CIDH
(Corte Interamericana de Direitos Humanos), ligada à OEA (Organização dos
Estados Americanos), que recebe denúncias de violações de direitos humanos em todo
o mundo. Outros líderes indígenas classificaram o discurso como
"ofensivo", "racista" e "paranoico". Em Nova
York, também houve críticas à fala do presidente. Narayamoga é uma referência
internacional na defesa da Amazônia. No final de agosto, ele participou do
Encontro dos Executivos, organizado em Paris. Para o líder, a fala de Bolsonaro
foi infeliz. "É muito triste. Ele só atacou os povos indígenas, não
esperava isso de uma autoridade máxima de um país com uma população que também
faz parte do Brasil. É uma vergonha", afirma.
26 setembro 2019
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog
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