O
presidente Jair Bolsonaro criou um falso escândalo ao revelar que o BNDES financiou a compra de 134 aeronaves da
Embraer em 2009, com juros abaixo do mercado, num total de R$ 2 bilhões. A
pretexto de dizer que o negócio foi um dos que compuseram a “caixa preta” do
banco estatal, o presidente usou de má-fé, revelando dados sigilosos envolvendo
seus adversários políticos, como o apresentador de televisão Luciano Huck e o governador João Doria. Eles
adquiriram os jatinhos de
forma legal, com os juros estabelecidos pela lei 12.096/2009, aprovada pela
Câmara, mediante normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. O
projeto objetivou incentivar as vendas da Embraer e fez parte do Programa de
Sustentação do Investimento (PSI). E, pasmem, a lei recebeu o voto favorável do
então deputado Jair Bolsonaro , que estava no
Partido Progressista, da base de apoio do presidente Lula, autor da proposta. Na
verdade, o PSI para a compra de aviões da Embraer , com juros de 3%
a 4%, realmente representou um subsídio da ordem de R$ 693 milhões, mas os
empresários que recorreram ao programa de forma legal não podem ser acusados de
irregularidade alguma. O estranho, portanto, não foi a compra dos
jatinhos, mas a forma incorreta do presidente vazar dados
sigilosos para atingir adversários. O uso da estrutura da máquina
pública com a finalidade de prejudicar adversários foi um
dos motivos que levaram os eleitores a rejeitar o PT nas urnas no ano passado e
eleger Bolsonaro. Não faz sentido, portanto, que o presidente use os mesmos
métodos petistas para expor quem o crítica, mesmo que em muitos momentos eles
apoiem a política de reformas do presidente.
Bolsonaro foi, no mínimo, capcioso.
25 agosto 2019
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog

0 comments:
Postar um comentário