18 junho 2019

SÍNODO: Vaticano condena extermínio de povos, culturas e gerações na Amazônia


A igreja católica quer ampliar sua atuação na Amazônia com um processo que ela chama de “conversão ecológica”, combinando intensa atuação nas comunidades tradicionais, combate ao “domínio colonialista” e denúncia dos processos de destruição ambiental, social e cultural da região. As diretrizes gerais para a tarefa estão em documento de 37 páginas divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Vaticano, com o objeto de orientar os debates para a assembleia especial do Sínodo dos Bispos da Amazônia, convocada pelo papa Francisco em 2017 e que acontece no próximo mês de outubro, entre os dias 9 e 27, em Roma. A pauta do encontro e a abordagem de forte cunho social batem de frente com os retrocessos promovidos pelo atual governo brasileiro, que já emitiu declarações contra o sínodo. Entre os alvos da igreja estão políticas e grupos defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro e por pessoas do seu círculo político e pessoal. “A ameaça à vida [das populações amazônicas] vem dos interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade atual, especialmente as empresas extrativas, muitas vezes em conluio ou com a permissividade dos governos locais e nacionais”, diz o documento, que também cita os interesses econômicos “ávidos por petróleo, gás, madeira, ouro e monoculturas agroindustriais”. Entre os males a serem combatidos pela igreja estão “a mentalidade economicista mercantilista, o consumismo, o utilitarismo, o individualismo, a tecnocracia e a cultura de descarte”.
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