O ex-ministro Ciro Gomes, que já concorreu duas vezes à
presidência da República (1998 e 2002) e deverá voltar a fazê-lo em 2018, pelo
PDT, concedeu uma importante entrevista ao jornalista Bernardo Mello Franco
(leia aqui). Nela, Ciro
condenou duramente o processo golpista que vem sendo estimulado pela oposição
liderada pelo PSDB. "A democracia está
ameaçada pelo golpismo. Está acontecendo uma escalada do golpe com apoio da
oposição, que não aceitou o resultado das eleições", disse ele. "Não gostar do governo não é causa para impeachment. Isso é
um mecanismo raro, para usar em caso de crime de responsabilidade imputável
direta e dolosamente ao presidente. Ninguém tem nada disso contra a Dilma."
Ciro afirmou ainda que o Brasil pagaria um preço alto, em caso de golpe, e
poderia viver uma situação de polarização comparável à da Venezuela. "Seria muito caro o preço de uma interrupção do mandato. É
só olhar a Venezuela. Quem produziu aquele quadro lá foi esse tipo de
antagonismo odiento. O país vai viver momentos tensos e graves, vizinhos à
violência, por causa desses loucos." Quem seriam, então, os loucos?
Ciro mencionou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio
Neves (PSDB-MG), que, na sua visão, estariam agindo "de má-fé". "O PSDB está fazendo isso por pura vingança. Em 1999,
quando houve a desvalorização violenta do real e a popularidade do presidente
foi ao chão, o PT começou com o Fora FHC", disse Ciro. "O comportamento do Fernando Henrique é constrangedor. Como
dizia Brizola, ele está costeando o alambrado do golpe. Qual é a proposta do
PSDB? Ficar contra o fator previdenciário e a CPMF, que eles criaram? Contra o
ajuste fiscal, que eles introduziram como valor supremo?"
(Brasil247)
