15 abril 2017

A LEI? ORA A LEI!: Diarista teve casa destruída em reintegração sem autorização judicial

No meio dos escombros daquilo que restou de sua casa, a diarista Maria de Deus Peixoto, 59, procura os sapatos das netas. Ali, antes da passagem de uma retroescavadeira, foi seu quarto por mais de 30 anos, em um endereço no fim de uma rua em Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo. Enquanto tenta identificar outros pertences no terreno arrasado, ela comemora o resgate de um pé da chuteira de seu filho. "Nos fizeram sair às pressas, não deu para pegar muita coisa", diz a diarista, enquanto cutuca com os pés os pedaços de madeira estraçalhados que formavam o seu guarda-roupas. No dia anterior, sua casa e outras seis foram alvo de uma mal explicada reintegração de posse. As residências ficavam em um terreno adquirido em 2013 pela construtora Cardim, que, desde então, briga para a retirada das famílias. Para a Justiça, a realidade daquelas famílias era diferente. Das sete casas do terreno, cinco estavam tomadas por invasores havia anos e deveriam, sim, ser demolidas. Já a de dona Maria e a de seu filho Rafael de Souza, 34, estavam poupadas pelo Judiciário após um recurso direto contra essa reintegração. Uma audiência para dar entrada no processo de usucapião (posso prolongada) dessas duas residências já estava até agendada para junho. Mas, na última quarta-feira (12), a decisão judicial a favor da diarista de nada valeu.
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